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ENTREVISTA com Rodrigo Domit

Olá amores!

Mais uma entrevista com autor nacional no ar e, como sempre, espero que vocês gostem deste espaço e conheçam o trabalho desses escritores. Vamos lá?

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Sobre o autor: Nascido no Paraná e residente em Jaraguá do Sul – SC, Rodrigo Domit escreve contos e poesias desde 2003. É autor dos livros Colcha de Retalhos (2011) e Ruínas da Consciência (2018). Teve um de seus contos selecionado para tradução e publicação na coletânea Grenzenlos, da editora alemã Arara-Verlag. Nove poemas foram selecionados para compor a coletânea Emergente – Novos Poetas Lusófonos, da editora portuguesa Livros de Ontem. Criou em 2011 o blog Concursos Literários, no qual são divulgados certames literários de todo o Brasil, de Portugal e de outros países lusófonos.

Colcha de Retalhos • Editora Utopia, 2011 • 80p. • Poesias e contos • Físico • Compre aqui

capa-colchaA obra é composta majoritariamente por contos, mas também apresenta crônicas e prosas poéticas. O texto inteligente e de agradável leitura conquistou o primeiro lugar no Prêmio Utopia de Literatura em 2010, organizado pela Utopia Editora, de Brasília. Além disso, a publicação também foi finalista do Prêmio Nacional SESC de Literatura, em 2008, e 3º lugar no Concurso Internacional da União Brasileira dos Escritores, em 2012.
Assim como uma colcha de retalhos, a obra apresenta-se como um emaranhado heterogêneo. Entretanto, o autor desenvolve costuras e amarras entre os temas, estilos, linguagem e ritmos. São 73 textos curtos, que conquistaram a admiração de especialistas. “O livro me fez lembrar a velha máxima ‘as melhores essências estão nos menores frascos´. Domit levou isto tão a sério que acabou criando um pequeno clássico, sim, pois abastado de aforismos, inversões, fantasia e, acredite, surrealismo”, citou o escritor de Cordeiro (RJ), Ângelo Pessoa.

O projeto gráfico é da ilustradora londrinense Laís Brevilheri. A disposição do livro foi pensada de modo a permitir que o leitor percorra os caminhos traçados pelo escritor ou ainda percorra suas próprias linhas e costuras. “Quando menina, meus sonhos eram aquecidos por uma velha colcha de retalhos. Hoje, mulher feita, é essa colcha de palavras costuradas pelo Rodrigo que me emociona”, contou a escritora de Bragança Paulista (SP), Henriette Effenberger.

RB: Como se deu a escrita do livro?

Quando comecei a dar meus primeiros passos na literatura, meu objetivo era experimentar a própria linguagem e estilo. Muitas vezes, escritores iniciantes acabam recorrendo ao estilo de suas referências, quando julgo que deviam focar mais em exercitar a criação para autoconhecimento e aperfeiçoamento. No meu caso, por exemplo, eu passei três anos obrigando-me a escrever diariamente textos curtos em prosa e verso, boa parte dos textos produzidos é descartável, mas nesse período produzi os textos que compõem o livro Colcha de Retalhos, que foi finalista do Prêmio Nacional SESC, vencedor do Prêmio Utopia, cujo prêmio era a publicação, e, depois de publicado, ainda foi premiado pela União Brasileira de Escritores. Então apesar de muitos erros, quando eu me permiti experimentar e criar livremente foi que eu encontrei meu estilo, minha voz e meu espaço na literatura, com esse livrinho.

RB: Colcha de Retalhos é uma reunião de poesias e pequenos contos. Qual tema principal norteou suas escolhas? 

Não teve um tema principal. E isso partiu do processo de construção do livro, tanto que foi bem natural, quando precisei escolher um título, que “Colcha de Retalhos” me viesse à cabeça. É um trabalho bem variado, com temáticas que vão do amor à crítica social. Em geral, é um livro mais suave, mais fofo; mas creio que tem também sua acidez e suas dores. O próximo livro, Ruínas da Consciência, que está com lançamento marcado pela Editora Patuá, segue uma linha temática; e, como o próprio título sugere, é algo mais pesado: sobre esse nosso mundo violento e que nos leva aos limites da sanidade.

RB: O livro é sua primeira publicação. Quais os desafios que você enfrentou no processo de publicação dele?

O maior desafio foi e continua sendo a distribuição e divulgação. Mas eu acabei assumindo o papel de editor, assessor de imprensa, produtor de evento. Fiz de tudo um pouco para este livro ir mais longe e, em especial, para que ele fosse acessível. Vivemos em um país no qual 30% da população nunca comprou um livro; e isso se deve a fatores socioeconômicos e culturais arraigados. Falta uma política governamental, empresarial e da sociedade em prol da leitura. Enquanto ela não vem, cada autor deve se perguntar o que tem feito e o que pode fazer pela formação de leitores e para ampliar o acesso à literatura. Eu tornei esse livro barato, doei centenas de exemplares (dos 3200 impressos, devo ter doado bem mais da metade), transformei ele em audiolivro através de um processo de criação coletiva e aberta. Dá bastante trabalho, mas acho que a gente precisa se conscientizar cada vez mais de que tem muita pedra no meio do caminho, e que cabe a nós removê-las.

RB: Colcha de Retalhos foi finalista de muitos prêmios e ganhou alguns outros. A participação nestes o auxiliou para que a obra ficasse mais conhecida e como foi a experiência para você?

Os concursos literários são sempre um meio de abrir portas, conhecer outras pessoas e conseguir mais espaço na literatura. Sempre digo que não se pode sobrevalorizar os concurso, devido à subjetividade da seleção, mas também não se deve ir para o lado oposto e descartá-los. Para um autor em início de carreira, é a melhor maneira de começar a colocar seu trabalho para circular. Por mais que seja pequeno, todo o espaço que conquistei na literatura foi através dos concursos literários. Não foi à toa que eu criei e edito o blog Concursos Literários, onde são divulgados certames de todo o Brasil de Portugal e de outros países lusófonos, a ideia do projeto é garantir que outros autores e aspirantes tenham acesso a estas oportunidades.

RB: Obrigada pela participação e parabéns pela obra! Deixe um recado para nossos leitores.

Acho que o meu recado já está dado. Se você quer ser escritor, aproveite as oportunidades de reconhecimento para que conheçam sua obra e você construa seu espaço. E, ainda mais importante, leiam muito e preocupem-se com a formação de leitores, mesmo que sejam ações pequenas, simples, locais, não deixem de fazer a diferença. Quanto melhor pavimentarmos o caminho, mais fácil vai ficar para quem vier depois de nós!

✎ A entrevista fica por aqui, amores! 😉 Espero que vocês tenham gostado dela tanto quanto eu! Não esqueçam de deixar seus comentários.

Um beijo e até logo!

 

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